O que é burn rate?
O burn rate, também chamado de taxa de queima de caixa, é a métrica que mostra quanto dinheiro a empresa consome do caixa a cada mês. O burn rate compara o saldo inicial e o final de um período e divide a diferença pelo número de meses.
O burn rate aparece em duas versões. O burn bruto soma todas as saídas de caixa do mês, sem considerar receita. O burn líquido subtrai a receita das saídas e responde à pergunta prática: quanto tempo o caixa dura? Como métrica de sobrevivência, o burn rate conversa diretamente com marketing: investir mais em aquisição acelera a queima e, se o CAC payback for longo, o caixa aperta antes de a receita voltar.
Como calcular o burn rate?
Burn Rate Líquido = (Caixa no Início − Caixa no Fim) ÷ Número de Meses
Runway (meses) = Caixa Atual ÷ Burn Rate Líquido Mensal
O cálculo tem três passos: pegue o saldo de caixa no início e no fim do período, divida a diferença pelo número de meses e depois divida o caixa atual por esse valor para achar o runway.
Exemplo hipotético: uma startup tinha R$ 1.200.000 em caixa em janeiro e R$ 840.000 em abril.
Burn rate líquido = (R$ 1.200.000 − R$ 840.000) ÷ 3 = R$ 120.000 por mês. Runway = R$ 840.000 ÷ R$ 120.000 = 7 meses.
Nesse ritmo, o caixa acaba em sete meses. Crescer a receita reduz o burn líquido sem cortar um centavo de despesa, e por isso a métrica anda junto com o MRR.
Burn rate vs métricas irmãs: qual a diferença?
| Métrica | O que mede | Quando usar |
|---|---|---|
| Burn rate | Consumo de caixa por mês | Calcular runway e ritmo de investimento |
| Margem líquida | Percentual da receita que vira lucro | Avaliar rentabilidade contábil da operação |
| CAC payback | Meses para recuperar o custo de aquisição | Dimensionar o impacto de mídia no caixa |
| MRR | Receita recorrente mensal | Acompanhar crescimento previsível da receita |
Veredito: o burn rate fala de caixa e tempo, enquanto a margem líquida fala de resultado contábil; uma empresa pode ter lucro no papel e queimar caixa no mês.
Exemplos de uso
- SaaS em crescimento: R$ 300.000 de despesas e R$ 220.000 de MRR, burn líquido de R$ 80.000. Com R$ 960.000 em caixa, o runway de 12 meses define a janela para chegar ao ponto de equilíbrio.
- E-commerce que dobrou a mídia: burn sobe de R$ 40.000 para R$ 110.000, porque estoque e anúncio são pagos hoje e a receita chega parcelada.
- Agência sazonal: burn positivo em janeiro e negativo no resto do ano. A leitura útil é a média móvel de 12 meses.
Erros comuns
- Usar só o burn bruto e ignorar a receita, o que superestima o consumo real.
- Projetar o runway a partir de um mês atípico, com 13º ou compra grande de estoque.
- Confundir caixa com resultado: vendas parceladas entram no faturamento hoje e no caixa depois.
- Esquecer obrigações já contratadas, como rescisões, ao estimar o runway.
Perguntas frequentes sobre burn rate
Qual burn rate é considerado saudável?
A pergunta correta é sobre o runway, e não sobre o valor absoluto. Um burn alto é aceitável quando o caixa cobre vários meses e a receita cresce rumo ao ponto de equilíbrio. O mesmo burn vira risco quando o runway encurta sem previsão de aporte ou de virada da receita.
Qual a diferença entre burn rate bruto e líquido?
O burn bruto soma todas as saídas de caixa do mês, sem descontar nada. O burn líquido subtrai a receita recebida e mostra quanto o caixa realmente diminui. Para calcular runway, use sempre a versão líquida; o burn bruto serve para dimensionar a estrutura de custos.
Como reduzir o burn rate sem travar o crescimento?
Os caminhos mais comuns são encurtar o CAC payback com foco em canais de retorno rápido, melhorar as condições de recebimento, migrar custos fixos para variáveis, reduzir churn para preservar receita já conquistada e cortar despesas que não geram receita nem retenção.