O que é ATT (App Tracking Transparency)?
ATT, sigla de App Tracking Transparency, também chamado de transparência de rastreamento em apps, é a estrutura de privacidade da Apple que exige permissão do usuário antes de um aplicativo rastreá-lo em propriedades de outras empresas. A regra entrou em vigor com o iOS 14.5, em 2021.
O aviso é padronizado pelo sistema. O app mostra uma caixa com duas opções: permitir o rastreamento ou pedir para o app não rastrear. Quem recusa faz o identificador de publicidade do aparelho, chamado IDFA, ficar indisponível para aquele app. Sem o IDFA, a plataforma de mídia perde a chave que ligava o clique no anúncio à ação dentro do outro aplicativo.
O ATT trata de rastreamento entre empresas. Medir o comportamento da pessoa dentro do seu próprio app, com base legal e aviso adequado, continua permitido. A permissão controla o compartilhamento com terceiros e a ligação entre apps de donos diferentes.
Como funciona na prática?
O app chama a API de permissão em algum momento da experiência, normalmente logo depois do onboarding. A Apple padroniza o texto do aviso e deixa o desenvolvedor escrever uma linha curta de justificativa. Muitos apps mostram antes uma tela própria explicando o valor da permissão, prática conhecida como pré-prompt.
Quando a pessoa recusa, o IDFA some para aquele app e a atribuição determinística deixa de existir. Entram no lugar mecanismos agregados da Apple, com pouco detalhe, e a modelagem de conversões aplicada pelas plataformas.
Para o marketing, três efeitos são diretos. Os públicos de remarketing em iOS encolhem. Os relatórios ficam mais lentos e menos granulares. E o SDK de atribuição mobile passa a conciliar dados parciais em vez de rastrear pessoa a pessoa.
ATT vs banner de cookies: qual a diferença?
| Aspecto | ATT | Banner de cookies |
|---|---|---|
| Origem | Política de uma empresa privada, a Apple | Exigência legal, como LGPD e GDPR |
| Onde aparece | Aplicativos no iOS | Sites em navegadores |
| Quem controla o texto | A Apple padroniza | A empresa escreve |
| Consequência de recusar | IDFA indisponível para o app | Tags não essenciais não disparam |
Veredito: o banner de cookies nasce da lei e vale para a web, enquanto o ATT nasce de uma regra de loja de aplicativos e vale para apps no iOS.
Exemplos de uso
- Um app de moda vê o custo por instalação no iOS subir depois do ATT, com públicos de remarketing menores. O time desloca parte da verba para Android e reforça o CRM próprio para reengajar quem já baixou.
- Uma fintech cria uma tela de pré-prompt explicando que a permissão ajuda a mostrar ofertas de crédito adequadas ao perfil. A taxa de aceite aumenta em relação a mostrar o aviso do sistema sem contexto.
Erros comuns
- Confundir ATT com LGPD: a regra da Apple é política de plataforma e não substitui a base legal exigida pela lei.
- Mostrar o aviso na primeira tela, antes de a pessoa entender o app, o que derruba o aceite.
- Recorrer a fingerprinting para contornar a recusa, o que viola as regras da loja e arrisca a remoção do app.
- Ler a queda das métricas de iOS depois do ATT como perda de desempenho, quando ela é perda de medição.
Perguntas frequentes sobre ATT
O ATT proíbe o rastreamento no iOS?
Não proíbe. Ele condiciona o rastreamento entre empresas à permissão explícita da pessoa, pedida por um aviso padronizado do sistema. Quem aceita continua sendo medido com o IDFA. Quem recusa deixa de ter o identificador disponível para aquele app, e a atribuição passa a depender de dados agregados.
O ATT vale para Android?
Não. O ATT é uma política da Apple e se aplica a apps distribuídos na App Store. O Android segue regras próprias do Google, com um identificador de publicidade que o usuário pode redefinir ou desativar nas configurações do aparelho, sem o aviso obrigatório no estilo do ATT.
Como reduzir o impacto do ATT nas campanhas?
Trabalhe três frentes: explique o valor da permissão antes do aviso do sistema, reforce dados próprios com login e CRM, e adapte a leitura de resultado para coortes e testes de incrementalidade. A medição individual não volta, então a decisão precisa se apoiar em sinais agregados.